Saturday, September 02, 2006

Corujão das 02:30

A típica Maricona do centro da cidade. Com seu jeans lavado, apertado, surrado. Com sua velha-pele-áspera enrugada com sardas e óleos. Com seu cansaço nítido de juventude não mais permitida. Com seu olhar lascivo, nojento, faminto-sedutor... Seus toques de verossímil sede de fome de desejos, que outrora não incomodavam...

Aquele homem-asco continua, como sempre, encostado na grade esperando qualquer confiança testoronica que o leve a ter mais uma seqüência de ereções. Seus olhares apreensivos e seus toques certeiros são gestos clichês, hábitos do cotidiano noturno.

O pobre hetero corteja a única quase nem tão dama. Lógico boêmio. Lógico bêbado. Lógico esperançoso. Lógico Utópico. Se for uma vagabunda já esta cansada. Se for trabalhadora já é casada. Se for estudante já foi sapatão. Se for crente... Já era!

Parece que é a primeira vez daquele rapaz. Suas atitudes imaturas, como a proximidade dos famélicos sexuais, são coisas de principiantes. Não vai demorar muito para que ele se irrite com as propostas. Seu shortinho de tac-tel azul, com seu corpinho-escultural-marcado... Nem percebera que despertara a libido dos ávidos por falo. Sorte a Lotação 0342 passar antes do confronto.

A quase nem tão dama também fora no 0342, deixando assim aquele pobre bêbado sem-assunto-com-quem-conversar. O velho pederasta continuava com seus olhares certeiros a qualquer coisa e por isso os desviou até a mim. Não pude fazer muita coisa. O asqueroso da grade, amassando, caminhou até outro ponto... Sem esperanças, foram ele e o velho até um ponto escuro onde as bocas não se tocavam, mas tocavam. O corpo falava independente de imagens e desejos, enfelizeram-se! A moral do pobre- bêbado-boêmio-decadente-heterossexual se esvaiu com a chance de ejacular nas pernas de qualquer garota... Sua vontade de ir embora não era maior que o sono. Então aconchegou-se num banco imundo e fez o mesmo que faria em sua casa: sonhou com alguma quase dama que gozasse sua vida nem que fosse por 30 segundos. Minha espera-chata-observatória chega ao fim pontualmente às 02h30min, com o ônibus que interessantemente chega e abre suas portas.

Saturday, August 26, 2006

Obrigado!


Pois bem, pois bem.
Estava eu, Só.
Estava eu, construindo a tal felicidade.
Estava eu... Estando.

Quando penso eu, pensando.
Sinto aquela tomada.

Você me premiou com seu cheiro.

Desgraçado!

Muito obrigado por não me deixar dormir.
Muito obrigado por não me deixar sonhar (com outra coisa)
Muito obrigado por tudo...

Por me fazer te odiar!

As Aventuras de Tide - 001

Estranho... muito estranho!

Uma Segunda-feira, num desses dias 24 da vida.
Argh! Acabei de acordar e estou com a convicção de que o melhor a se fazer é voltar a ser neurótico. Não sei se consigo viver muito tempo na promiscuidade absoluta de um beberrão... Definitivamente, não dá! Estou com um estranho e amargo gosto na minha boca, são 13h45min e no meu telefone existem 37 chamadas não atendidas, que soam como trezentos milhões e noventa e sete mil e quatrocentas e oitenta e cinco ligações desesperadoras, pois umas dez são da minha mãe que saiu absurdamente cedo de casa (pro médico, como sempre!) e o resto dos meus amigos talvez transtornados. Ai! Minha cabeça está pesada, cheia de não sei o que e minha visão está turva... Em meio às lembranças de ontem, vejo alguns copos e muitas luzes... Preciso acordar direito e ver o que aconteceu, ontem tive uma noite meio perturbadora e não sei como cheguei em casa.

15h37min
Realmente eu tinha razão ao pensar que meus amigos estavam transtornados... Foi ridículo! Ontem sai sem vontade, só pra acompanhar o pessoal e não quebrar a rotina. E acabei saindo... dos limites! Segundo eles, eu entornava todos os copos que estavam ao meu alcance e isso resultou numa catástrofe: Fiquei tipsy tipsy! Irreversivelmente embriagado e o pior, sujei a minha roupa nova de puke... argh! Convenhamos que cair no chão e rolar em dejetos nauseásticos não é legal e não faz bem pra popularidade, ui! Os meninos me falaram que eu enjoei a noite toda, que me embebedei já nas primeiras horas da night e que eles não curtiram nada por minha causa, e o pior de tudo, foi que além de me agüentarem a noite toda, ainda pegaram a maior scold da Mamis, que acordou com meus escândalos e quis saber por que seu filho estava daquele jeito... A piada: eles se safaram dizendo que na ballad, eu me apaixonara por uma moça, (ah ah ah!), e que ela talvez tenha me dado alguma coisa, Não Alcoólica, mas com uma provável substancia entorpecente... ela tanto acreditou como agradeceu a eles por terem me salvado de tal má criatura... Mamãe... ela me mata de vergonha com esses acessos de retardadice, vão pensar que sou filho de uma bobona! Falando nela, as 10 ligações eram pra saber se eu ainda sofrera com os efeitos da tal substancia... ai ai!

22h59min
Depois de um dia confuso e indisposto... coisas de ressaca! Eu me recolho à insignificância de uma internet lenta e obsoleta. Tenho compromissos com meus amores virtuais... os únicos que estou conseguindo na atualidade... todos morando no quinto dos infernos, e que, portanto, não tenho nenhuma chance de consumar toda a minha paixão... argh! Distância maldita! Se bem que ao menos eles não estão sabendo do meu showzinho de ontem, porém não saberei se eles também não resolveram dar um show parecido, ou até mesmo se eles parecem com o que dizem ser... mas mesmo na dúvida prefiro ter alguém pra amar... é triste... mas é a realidade! A oferta está quase inexistente... procura-se um amor de verdade! vou tatuar na minha testa pra ver se encontro... E aproveitando as promessas, como eu já havia dito, vou voltar a ser neurótico e procurar o meu livro de macrobiótica e não beber e voltar a ter uma vida neurótica e saudável, longe do álcool e perto da prolongação vital e das dietas vegetarianas... argh! Me dá até uma coisa por dentro, mas eu acho que vou conseguir... ter um amor e ser “saudável”.

Saturday, August 19, 2006

Eu.

Ele era velho, feio, mal-amado e decadente. Um louco de pedra auto-suficiente e pendente com a natureza. Uma contradição nata. Tudo o que um dia sonhou, realizou. Tudo o que fazia, dizia e seria... Absolutamente! Um dia ele acordou e viu que não dormiu, que chorou e não sorriu, que fez sorrir mas não quis. Que tudo o que era tudo, na verdade não era nada e que nada fazia sentido... Sentir! Os minúsculos músculos cerebrais o fundamentavam, o extraiam e designavam. Ele era aquilo, e mais um pouco... bem pouco.
(***)

Eu..

Eis que todas as leis de amor amado foram desviadas,
Estraçalhadas,
e tiradas,
Excluídas!
Todo aquele lado místico,
Fantástico
e nojento das regras de amor absoluto,
tudo aquilo se fora para bem fazer.
Tudo o que ele no fundo,
no fundo,
não suportava,
precisava ser,
e ir,
fazer com que o orgasmo fosse outro.
Respirar aquele velho ar que ficou no fundo daquele mar...
Podia ser difícil, mas o impossível já acontecia.

Então... Mãos á obra!!!

Eu...

Pela Última Vez...
Já era fim de madrugada. Majestosamente não havia sono, eu era o sono... Vaguei toda a noite em meus sonhos e por isso não tive oportunidade de me deprimir com a realidade. Entretanto, minha alegria, meu sono, meus sonhos se foram quando de súbito ele me disse que havia arrancado uma armadura... Comparando com uma biblioteca que se fora ao chão, e querendo uma capa, queria não ser percebido, reconhecido. Respirei fundo, e de inicio me preocupei. Achei que a tal biblioteca havia desmoronado e que pudesse estar machucado. O sono não me permitiu, voltei a dormir e talvez meu inconsciente gritasse... Mas não queria entendê-lo. No máximo diria a ele não usar capa alguma, tendo em vista que eu era feliz com minha biblioteca rasgada, armadura quebrada e sem capa. Eu sempre fui visto e reconhecido, e talvez por isso fosse toda aquela felicidade contraditória. Aquela informação desinformante... Mas o sono era bastante, o suficiente pra confundir meus pensamentos, não me deixando dormir em paz e nem acordar são.

Friday, August 04, 2006

Quando se consegue todas as respostas, as perguntas mudam!

Pois é, de novo outras coisas... Acontecimentos que me fizeram pensar, que me fizeram sofrer. Sabe, no meio daquele tumulto que foi quinta-feira, fui questionado sobre algo que há tempos não falava com ninguém, sobre algo que definitivamente mudou a minha vida, e você sabe o que é! E como sempre fiz, tentei fugir, tentei fingir, encerrei o assunto... Mas não pude fazer muita coisa com relação aos seus ouvidos... E lamento muito tudo isso. Lamento tanta coisa... Lamento um dia não ter tido forças de resistir a um olhar que nunca me viria na multidão... Lamento ter me deixado morrer, já que era tão feliz... Mas não me arrependo! Morri mas nasci de novo, minha felicidade hoje é outra e, sinceramente, não viveria mais sem tal força. Talvez eu tenha cometido muitos erros e um deles foi não ter medo do que sentia, de gostar daquele monstro que me consumiu. Hoje não faria diferente... E até faria, talvez, por que tenho alguns fantasmas, alguns medos, assombrações que vivem no mesmo olhar que me encantou. Ás vezes tenho medo do sentimento de pena que pode existir no seu coração, tenho medo do não gostar, e muito medo da distancia. Tenho medo que fatos, como o de quinta feira, consigam afastar mais ainda aquele olhar que jamais esquecerei. Sabe, quando digo que te amo, é por que realmente amo. Não pense que isso é fácil, que é bobagem e que não ligo pro mundo. Uma das mudanças que eu faria, era justamente não olhar para aquele que se tornou um verdadeiro mito, meu amor ficou banalizado pelo desejo de muitos e a essência se perdeu, foi algo lamentável. Por mais que conseguisse alimentar algo platônico, eu jamais alimentaria qualquer simpatia por algo tão “popular”, me conheço bem com relação á tudo isso e é uma pena meu coração não ter esperado 2 semanas, era o suficiente. Vejo que minha calma e pacificidade em torno desse assunto eram lendas. Consigo me irritar, chorar, sofrer e gritar. Quando dizia que não queria ir além dos meus sentimentos, era por que eu tinha medo do não, isso é lógico, mas também não queria desperdiçar meus sentimentos, eles são especiais. Não quero me desfazer de ti, afinal de contas você também é especial, tanto que foi capaz de revolucionar um coração, porém sei que não confiaria o suficiente e que dificilmente compensaria ser amado por ti. Também não quero dizer o quanto te amo, sei que assim eu seria visto como um louco e te condenaria a nunca ser amado suficientemente... Assim como sei que é pouco provável me encantar por outro olhar. Nunca deixei de te amar, nem por um segundo. Tenho medo disso, mas já se tornou vital. Só que não preciso de seu amor, não quero sua pena e nem admito qualquer insinuação de ajuda. Se um dia isso passar, lembrarei com respeito do que senti, serei feliz ao lembrar que amei alguém e que esse alguém foi especial como você está parecendo ser. Me acostumei com o seu silêncio, com suas atitudes e defeitos. Nossa amizade não se deve a nada e nem nada se deve a nossa amizade, pelo menos por minha parte, se é que você me entende.

Wednesday, July 05, 2006

Começando (Não Deixa!)


Como sempre, já era madrugada. Aquela sede, aquela vontade de qualquer coisa, o faria lembrar de um olhar... De algo que ele nem sequer esquecera. E aquela maldita vontade fez com que ele simplesmente buscasse, fizesse e esperasse a-n-c-i-o-s-a-m-e-n-t-e por qualquer novidade, por mais tola que fosse. A Cássia Eller gritava, falava alguma coisa sobre cartas de amor... Tantas e tantas vezes sua vida fora destruída por cartas de amor, mas a bendita modernidade veio a calhar com a nova modalidade de destruição! Tudo bem, ele conversava com uma lésbica, lenta, mijona e Lésbica! Elas são menos recomendáveis, sentimentais e irracionais, tudo vale a pena e isso não era uma boa influencia em um recomeço sentimental. Afinal de contas ele estava cansado de amar, de sofrer, querer, dizer coisinhas bonitas e escutar musicas românticas... Implorava mudanças nos planos destinais, tentava apagar certas linhas tortas de suas mãos, tentava fugir de qualquer realidade que lhe fora traçada. Mas enfim, ele já caminhava um novo-velho-caminho, influenciado pelo sentimentalismo lésbico, sedento por uma nova paixão, seguindo suas próprias leis normativas individuais apaixonantes reflexivas...

Tudo novamente de novo.
Repetindo-repetindo-repetindo
Sem chance de Respirar!

Saturday, July 01, 2006

Era uma vez...

Era uma vez alguém muito feliz e esse alguém queria ser mais feliz ainda. Num acesso de egoísmo felicitoso, esse alguém percebeu que, para ser mais feliz, precisava se apaixonar. Hoje, esse alguém, já depois de se apaixonar, percebeu que foi muito feliz e sabia, mas como mais ainda queria, se apaixonou e agora felicidade alguma bastaria.

Costela.

Quero mais uma, aquela que Deus me tirou para dar origem a uma... Mulher. Pois bem, sinto falta agora, nesse exato momento, daquilo que me foi subtraído. Quero de volta a minha costela! Quando era criança, achava bonitinha toda aquela historia que minha avó me induzia a acreditar. Ela dizia que meu pinto era uma chavinha que era de alguma menininha. Era mágico! Era fascinante e eu até repetia da mesma maneira caso alguém me perguntasse algo sobre o membro. Hoje sei que a melhor e maior função dele é a de fazer xixi! E que menininha nenhuma é dona dessa tal chave, que nem chave é! E como se fosse pior, ainda tenho que me conformar com a tal história da costela, que me tiraram para dar vida a uma mulher... Se fosse pelo menos a da minha Mãe! Mas não, me tiram costelas, meu pênis é uma chavinha, meu coração anda nem sei por onde... Na verdade temo o dia em que não saberei mais quem e nem de quem ser.

Sunday, June 25, 2006

Singular

Já era madrugada. Ainda existia uma estrela, talvez a última daquele resto de noite. Seus sentimentos, pensamentos e tormentos giravam em torno de uma única inrazão: o amor! Tudo que acontecia, lembrava. Tudo o que lembrava, sentia. Tudo que sentia, viva. Tudo era muito vivo e aquela estrela, solitária, suprema, descrevia tudo o que sentia.

O fato era: Aquela estrela não era bastante, o sentimento não era vital e suas vontades não se condiziam. Não mais!